Medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento.
Guimarães Rosa

Nascer não é tarefa fácil. Morte é um estalo, somos poeira no vento e ponto final. Viver é suportar a potencialidade do infinito diante da finitude. Nascer com carne, ossos, estômago, coração, nesta terra que habitamo-nos uns aos outros – taí o Cruzo Encantado!
O verbo Nascer está presente como ponte entre a vida e a morte nos momentos de ruptura e afirmação de nossa própria biografia.

Todo abismo é navegável a barquinho de papel.
Guimarães Rosa

Na Jangada, nosso trabalho consiste em reconhecer esses cruzamentos vivenciados pelas crianças. Há um momento em que a criança percebe que seus recursos estão estreitos para o tamanho da largueza de Vida que agora se apodera nela.
Inevitavelmente, o desenvolvimento a imbrica num Alargamento de sua própria existência, ela se reinventa em seus próprios recursos para que em sua alma caiba mais mundo. A esse alargamento que nos possibilita Nascer diante das rupturas, chamamos Amor.

Assim, os moleques lembram que uma das capacidades de dobrarmos a morte enquanto escassez está na força do ser brincante. Luiz Rufino

(Foto Sebastião Salgado – Gênesis)

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